Minha mãe trabalha… e daí?

Hoje vou ser polêmica haha! Já vou começar com o “mimimi” eterno sobre mãe trabalhar fora ou não. E se acrescentar um “mãe-crente” aí no meio é que a coisa pega mesmo… então, senta que lá vem história e a mesa redonda do debate só começando.

Eu tive a Mel com 26 anos e desde quando decidi que ia ser uma mãe na vida, já tinha decidido também que iria ser mãe-integral. Mas que raios é ser mãe-integral? Pela definição:

Integral
adjetivo de dois gêneros
1. que não sofreu diminuição ou restrição; total, completo.
“posse i.”
2. que se apresenta com todos os seus componentes e propriedades originais (diz-se, p.ex., de produto alimentar).
“arroz i.”

Então pela teoria eu deveria me dedicar TOTALMENTE a ela durante os 24hs do meu dia, certo? Mas não, percebi que isso não seria possível logo no meu primeiro dia em casa depois do parto quando me vi com um ferro de passar na mão em frente da tábua e uma pilha de roupas [levando uma bronca das mais senhoras por isso, claro!].

Nos dias seguintes minha vida seguiu dividindo o então ‘integral’ em: um pouquinho pra bebê Mel, um pouquinho pro papai, um pouquinho pra casa e… acho que um pouquinho muito pequeno pra mim mesma.
Foi quando eu suspirei e… uia! já estava chegando o Natal [a Mel tinha nascido em Junho]. O pânico literalmente tomou conta de mim! Preciso fazer algo, urgente!

Como assistia muitos programas de artesanato na Tv (lembrando que eu fazia artes para vender desde meus 9 anos de idade), resolvi começar a fazer algumas peças para me distrair, quando em novembro ‘aceitei’ uma encomenda da minha sogra que queria dar cartões de natal para a família e amigos.
Então o pouquinho muito pequeno pra mim mesma se tornou um tempo pra cumprir as encomendas e percebi enfim que o plano de Mãe-Integral miou neste momento, não é mesmo?

Me desculpem em não dar boas notícias a partir daqui dizendo que essa percepção me fez retornar ao plano original, mas aconteceu exatamente ao contrário, eu me sentia mais mãe-esposa-mulher desta forma, me senti viva!

Neste momento eu vi que tudo se desenrolou na minha ‘carreira de arteira’. Quando não estava trabalhando dentro de casa, estava em lojas ou viajando o Brasil dando aulas das minhas arteirices, tanto pessoalmente quanto pela Tv… E a Mel sentia cada vez mais orgulho de ser minha filha, de ver a mãe criando peças lindas e ensinando à outras mulheres que muitas vezes estavam passando por situações difíceis e precisavam da arte como terapia ou salvação financeira. Via a mãe em revistas, suas fotos em meus trabalhos, enquanto reconhecia aos poucos que tinha herdado o “dom da mamãe”.

Quando me dei por mim novamente estava tentando engravidar da Carol por 3 anos e ela veio no resultado positivo 20 dias depois de eu abrir minha própria empresa… de festas…rsrsrs.
A decisão de ser mãe-integral ainda estava ali, e então fui mãe-integral enquanto estava produzindo os itens de uma festa de quinze anos ao mesmo tempo em que me via totalmente sem leite, lutando para que saísse mais uma gotinha para que eu pudesse amamentá-la como uma “mãe-normal” faria.

Mas LetS, porquê você criou este post hoje?

Fazem 5 meses que comecei a trabalhar “fora” [também] dentro de um escritório me dedicando horas por dia à outras crianças (sim, você leu crianças mesmo) enquanto minhas filhas são cuidadas por professoras, família…

Assim um belo dia ouvi a pergunta que tentou me assombrar: “ué, você não tinha decidido ser mãe-integral?”.
A resposta foi sim, decidi e sou!

Fui mãe-integral a todos os primeiros momentos das minhas princesas.
Durante a maioria de seus dias eu acordo com elas e as coloco pra dormir à noite. Dei seus primeiros e muitos outros banhos. Sofri e chorei junto com a fome delas por causa da falta de leite na mamãe.

Vi cada primeira mamadeira, colherada, cada primeiro passinho, tombo e amor.
Ouço todas suas aventuras com o Ditchan e os gatinhos que aparecem por lá para visitá-las de vez em quando, das broncas que levam das professoras por falarem demais na sala de aula e o que os amiguinhos aprontaram nas festinhas que vão.

Estou sendo mãe integral nesse exato momento, enquanto acabei de dar uma bronca na Mel por ela me pedir para arrumar o cabelo dela enquanto escrevo este post, pedindo um minutinho que já vou terminar o parágrafo para arrumá-la.

Também sou mãe-integral quando estou terminando de responder uma mensagem pelo whatsapp pra resolver sobre a vida das minhas pequenas enquanto estou em um almoço de lançamento de uma marca.

Ao mesmo tempo que estou sendo mãe-integral eu estou construindo minha carreira, ajudei no orçamento diário para que nossa família tivesse a casa e o carro próprio, e nenhuma dívida no banco.
Fui mãe-integral sendo esposa-integral, aguardando pacientemente meu marido terminar suas duas faculdades antes de começar a viver o sonho de fazer a minha de Marketing.

Então mamães e mulheres que me chegaram até este post de hoje, encorajo vocês a serem mães-integrais da forma que puderem, fazendo o seu melhor a cada momento que estiverem com seus filhos. Eu fui filha de mãe-integral, que trabalhava dentro de casa e hoje [acho] que sou uma pessoa decente..rsrs
É difícil? MUITO! Cada saída de casa sem elas ou até mesmo cada vez em que eu estava trabalhando dentro de casa, porém distante delas, era como se fosse aos poucos arrancando uma parte de mim. Nem consigo imaginar então a dor de uma mãe que deixa seu filho com outra pessoa quando está doentinho ou chorando pelo seu colo…

Mas essas partes eram devolvidas durante nossos momentos juntas pois eu tinha que viver, da forma em que era necessário a cada momento.

Então vou compartilhar com vocês 3 pontos que ao pensar sobre o assunto me vieram a cabeça como os principais que me auxiliaram durante toda essa fase, e creio que ajudará para sempre na verdade, até o dia em que elas saírem de casa para terem suas próprias vidas (mas eu continuarei sendo mãe-integral mesmo assim haha!):

  1.  Confie: em você, nas suas escolhas e nos que estão envolvidos no processo. Eu não tive tempo de me ‘planejar’ para tudo o que aconteceu na minha vida, mas precisei confiar em tudo e em todos ao meu redor para que nós todos pudéssemos chegar onde estamos hoje sem grilos nem culpa;
  2. Seja honesta com seus filhos. Você não precisa mentir sobre sua vida pessoal enquanto eles não precisam daquele diálogo formal sobre o porquê “mamãe vai trabalhar fora”, “mamãe e papai vão sair sozinhos”… Mas eles precisam que você deixe claro para eles a todo momento que a vida já acontecia quando eles não estavam aqui, então ela vai continuar da melhor forma com eles aqui também;
  3. Dedique tempo para eles. Leia novamente: dedique tempo PARA eles enquanto estiver com ELES. E esse ‘eles’ pode ser seus filhos, seu marido, sua família… Não precisa ser a neurótica de desligar tudo ao redor, mais uma vez, é necessário que saibam que o mundo gira antes mesmo da chegada deles por aqui. Mas sinta o momento, deixe que eles também sintam e tudo ficará mais natural ao decorrer do tempo.

Depois de 11 anos posso dizer com o coração tranquilo que fui mãe-integral sem estar 24h disponível para minhas filhas, mas sim estando disponível a cada minuto em que elas precisaram que eu estivesse ali, ou não…

Elas cresceram sendo amadas por outras pessoas, cuidadas pelas professoras sem a mãe ficar atazanando cada passo delas dentro da sala de aula. Foram cuidadas pelos avós e tias depois da aula, nas férias, quando o papai e a mamãe iam passear sozinhos.

Por isso elas tem histórias diferentes, experiências diferentes, amores diferentes.
E eu agradeço a Deus por me permitir ter vivido e deixado que elas vivessem tudo isto.

Falei lá em cima sobre a questão de ser mãe-crente. Calma, não vou polemizar isso nesse post, deixa pra um próximo haha!

Porém hoje eu posso dizer que ainda não sou, na verdade creio que nunca serei em totalidade, mas me sinto chegando próximo do objetivo de Deus para minha vida conforme Provérbios 31.

Desejo que todas possam viver de forma contente a maternidade que sonham, mas que possam ser muito plenas nas maternidades reais que vivem!!!

Mil bjs!!!
LetS

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